As cidades brasileiras enfrentam hoje graves efeitos de segregação socioespacial, agravados pela crise econômica que afeta grande parte da população urbana. A ocupação de áreas urbanas por milícias e facções de traficantes tem aumentado a criminalidade, resultando em fragmentação territorial marcada pela violência e comércio ilegal de
drogas.

No Rio de Janeiro, a situação é agravada pela alta concentração populacional em ocupações irregulares e favelas, somando cerca de 1.100 assentamentos informais que abrigam aproximadamente 2,2 milhões de habitantes, conforme o último censo. O poder econômico dessas associações criminosas se expandiu para diversos setores, desde a comercialização de produtos e serviços até a criação de imóveis ilegais. Como resultado, a gestão pública enfrenta
dificuldades em combater essas distorções espaciais, impossibilitando a configuração de espaços adequados com infraestrutura e serviços urbanos necessários para a população.

Assim, é urgente debater a ocupação territorial dos cidadãos economicamente desfavorecidos nas cidades brasileiras. Para isso, será realizada uma mesa-redonda com o tema “Onde é o lugar dos pobres nas cidades contemporâneas?”. O evento discutirá as condições necessárias para a adequação dos territórios urbanos, abordando a interação entre classes sociais distintas, a ocupação equânime de estruturas habitacionais e a mitigação dos efeitos da falta
de políticas governamentais para regulamentar a ocupação e uso do solo urbano.

Como complemento, ocorrerá o lançamento do livro Urbanismo Social para Habitação Popular: Política e Gestão dos Espaços Urbanos para as Classes de Baixo Poder Aquisitivo, no Brasil e em Portugal, escrito pelo professor Mário Márcio Queiroz e publicado pela Outras Letras Editora, com apoio da FAPERJ. A obra contextualiza a condição habitacional das classes populares, analisando os programas habitacionais brasileiros desde 1930. Além disso,
estabelece premissas qualitativas para a avaliação fundiária de espaços urbanos, visando melhorar as condições residenciais dos pobres. A publicação também destaca a experiência bem-sucedida de Portugal com políticas habitacionais após a Revolução dos Cravos em 1974, que promoveram a equidade socioespacial em áreas urbanas dotadas de infraestrutura necessária.

Serviço:
Dia 12/08/2024, às 15 horas,
Livraria Blooks, anexa à reitoria da Universidade Federal Fluminense
Icaraí, Niterói (RJ).
Pedidos:
ISBN: 978-65-89794-26-4 | Formato: 15 x 23 | Preço: R$ 64,90 | 336 páginas
Outras Letras Editora
(21) 996352376 / contato@outrasletras.com.br

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A ponte Rio Grande, que passa sobre o rio de mesmo nome, será totalmente interditada na noite desta quinta-feira (5/2), após apresentar trincas em um dos pilares da estrutura. A ponte liga a cidade de Conceição das Alagoas, em Minas Gerais, a Miguelópolis, no interior de São Paulo. O Departamento de Estradas de Rodagem (DER) de Minas Gerais já havia determinado que apenas veículos de até quatro toneladas poderiam circular pela ponte, mas, após uma nova vistoria, realizada nessa quarta-feira (4/2), o departamento determinou a interdição total. A ponte é considerada um importante elo de ligação entre a Rodovia MG-427 e o estado de São Paulo, garantindo acesso a municípios do interior paulista, como Barretos. Uma das opções de desvio para os motoristas que usam o trajeto é seguir pela MG-427 até a cidade de Planura, depois acessar a BR-364 – que passa a se chamar SP-326 quando muda de estado, seguir até Barretos e, de lá, continuar pela SP-25 até a cidade de Guaíra. Outra rota alternativa é pela MG-427, no sentido de Uberaba, depois seguir pela BR-050 até a cidade de Delta e, ao atravessar a divisa entre Minas Gerais e São Paulo, continuar pela SP-330 em direção a Ituverava e, de lá, acessar a SP-385 até Miguelópolis. Segundo profissionais envolvidos na análise da ponte, as dimensões das trincas identificadas “comprometem a segurança dos usuários”. “O DER-MG está em contato com o Departamento Rodoviário de São Paulo com o objetivo de viabilizar ações para recuperação da estrutura, possibilitando a retomada da circulação de veículos no local”, diz o comunicado. Não há previsão para a retomada do tráfego na via. Enquanto isso, o departamento de estradas mineiro orienta que os motoristas respeitem “rigorosamente” a interdição e a sinalização instalada no local.