O presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, André do Prado, iniciou os primeiros movimentos de sua pré-campanha ao Senado com uma estratégia considerada central por aliados: ampliar sua visibilidade junto ao eleitorado paulista e consolidar sua imagem como principal nome ligado ao governador Tarcísio de Freitas dentro da disputa eleitoral.
Após vencer uma intensa articulação interna no Partido Liberal e garantir o apoio de Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro, André do Prado passou a ser tratado como um dos principais nomes do grupo político conservador em São Paulo para a eleição ao Senado em 2026.
Nos bastidores, interlocutores afirmam que a estratégia inicial da pré-campanha busca fortalecer uma atuação mais institucional e moderada, priorizando agendas conjuntas com Tarcísio de Freitas, aproximação com prefeitos e construção de alianças políticas regionais. O objetivo é ampliar o reconhecimento popular do deputado estadual em um cenário no qual ele ainda aparece com baixa projeção eleitoral nas pesquisas iniciais.
A avaliação de aliados é de que a vinculação direta à imagem de Tarcísio poderá ser decisiva para impulsionar sua candidatura. O governador paulista mantém forte capital político dentro do estado e continua sendo uma das principais referências da direita nacional fora do núcleo direto ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Dentro dessa estratégia, André do Prado também tem buscado evitar envolvimento direto em pautas mais radicais ligadas ao bolsonarismo. Segundo interlocutores próximos, o foco atual está concentrado na política tradicional, na construção de apoios partidários e no fortalecimento institucional de sua imagem pública.
Um dos próximos passos da pré-campanha será um evento oficial de lançamento organizado pelo PL no município de Guarulhos, marcado para o dia 20 de junho. A expectativa é reunir lideranças políticas, deputados, prefeitos e representantes do partido para marcar oficialmente o início da caminhada eleitoral do presidente da Alesp.
Apesar da articulação política considerada bem-sucedida dentro do partido, o entorno da candidatura também convive com temas delicados ligados a aliados próximos. A escolha de Eduardo Bolsonaro como primeiro suplente da chapa passou a gerar questionamentos políticos e jurídicos envolvendo a situação do ex-deputado federal.
Nos últimos meses, Eduardo Bolsonaro tornou-se alvo de investigações e discussões judiciais relacionadas à sua permanência nos Estados Unidos e à suposta ligação com recursos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A Polícia Federal investiga se parte dos recursos destinados ao financiamento de um filme biográfico sobre Jair Bolsonaro teria sido utilizada para custear despesas do ex-parlamentar no exterior.
Além disso, a Procuradoria-Geral da República apresentou pedido de condenação contra Eduardo Bolsonaro em um processo relacionado à suposta coação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O cenário jurídico envolvendo figuras próximas à pré-campanha acaba aumentando a pressão política sobre os aliados do grupo conservador paulista.
Mesmo diante das turbulências no entorno político, André do Prado tem afirmado a aliados que seu principal desafio neste momento continua sendo eleitoral: tornar-se conhecido do grande público e melhorar sua posição nas próximas pesquisas de intenção de voto.
A avaliação dentro do PL é de que a exposição ao lado de Tarcísio de Freitas, somada à estrutura partidária e ao apoio do grupo bolsonarista, poderá fortalecer a candidatura nos próximos meses e transformar André do Prado em um dos nomes competitivos na disputa pelo Senado em São Paulo.
