Uma série de reportagens publicada desde a última sexta-feira (20) pelo jornalista Demétrio Vecchioli desencadeou uma crise política na Prefeitura de São Paulo, culminando na demissão de dois nomes de destaque da área de turismo municipal: o então presidente da São Paulo Turismo (SPTuris), Gustavo Pires, e o secretário adjunto de Turismo, Rodolfo Marinho.

As reportagens detalham o funcionamento de um suposto esquema envolvendo contratos e programas ligados ao turismo da capital paulista, situação que segue repercutindo nos bastidores da política municipal mesmo após as exonerações.

Trajetória de Gustavo Pires

Aos 32 anos, Gustavo Pires era considerado um dos quadros mais próximos do ex-prefeito Bruno Covas. Ele foi nomeado presidente da SPTuris em agosto de 2021, ainda durante a gestão de Covas.

Antes de falecer, o ex-prefeito teria recomendado ao então vice-prefeito — que posteriormente assumiria o comando da cidade — a continuidade de oportunidades políticas ao aliado. Durante a administração do prefeito Ricardo Nunes, Pires ganhou protagonismo na organização de grandes eventos promovidos pela cidade, incluindo ações voltadas ao fortalecimento do Carnaval paulistano e negociações envolvendo eventos internacionais, como partidas da liga de futebol americano National Football League (NFL), posteriormente realizadas no Rio de Janeiro.

Quem é Rodolfo Marinho

Já Rodolfo Marinho possui ligação política direta com o deputado federal Gilberto Nascimento, presidente da Frente Parlamentar Evangélica no Congresso Nacional, além de proximidade com o vereador Gilberto Nascimento Jr., responsável por sua indicação inicial ao cargo de secretário municipal de Turismo.

Nomeado em 2022 por Ricardo Nunes, Marinho foi rebaixado à função de secretário adjunto em 2024 em meio a rearranjos políticos que envolveram o governador paulista Tarcísio de Freitas. A mudança teria relação com articulações para que o deputado estadual Rui Alves deixasse a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), abrindo espaço ao suplente Danilo Campetti.

Rui Alves, que também atua como pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, incluiu o Templo de Salomão entre os roteiros turísticos oferecidos pelo programa municipal Vai de Roteiro, cujos guias são remunerados pela empresa Quarter.

Empresa sob questionamento

Outro ponto abordado nas reportagens envolve a empresa Quarter. Formalmente, a proprietária da companhia é Nathália Carolina da Silva Souza, que fundou a agência em 2022 declarando patrimônio de R$ 1,2 milhão.

Segundo as informações divulgadas, mesmo residindo em um cortiço na zona norte da capital paulista até 2025, a empresária teria registrado lucro de aproximadamente R$ 14 milhões com a empresa apenas em 2024, fato que passou a ser alvo de questionamentos e investigações.

Crise política em andamento

O caso segue provocando repercussões dentro da administração municipal e pode gerar novos desdobramentos políticos e administrativos. Até o momento, a Prefeitura de São Paulo não detalhou possíveis medidas adicionais relacionadas às denúncias.

As investigações e apurações continuam, enquanto o episódio amplia o debate sobre transparência, gestão de contratos públicos e influência política na área de turismo da maior cidade do país.

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