A Eletrobras realizou, nessa terça-feira (31), aportes no valor total de R$ 883 milhões para a implementação de projetos de sustentabilidade nas regiões das hidrelétricas pertencentes às empresas Eletrobras Chesf, Furnas e Eletronorte. A medida é decorrente das obrigações previstas nos contratos de concessão celebrados na privatização da empresa.

O valor dos aportes é relativo à parcela de 2023 e é o resultado da aplicação do IPCA, desde a data da assinatura dos contratos, 17 de junho de 2022, ao montante nominal total de R$ 875 milhões.

Os aportes vão ser realizados, anualmente, por um período de 10 anos, sendo R$ 350 milhões da Chesf, destinados à revitalização de bacias hidrográficas do Rio São Francisco e Parnaíba; R$ 295 milhões da Eletronorte, em investimentos para reduzir o custo total de geração na Amazônia Legal; e R$ 230 milhões de Furnas, destinados a bacias das áreas de influência das hidrelétricas das empresas.

Para o economista especialista em bioeconomia Guidi Nunes, os programas podem proporcionar um ganho de valor para o Brasil no aspecto econômico e social.

“Os setores onde tem parte ambiental bem preservada, como é o caso do Brasil, têm um potencial de receber crédito de carbono de várias empresas de setores a nível Internacional. É um volume razoável até 2050, na medida que saibam construir uma cadeia de atividade econômica sustentável que preserve o meio ambiente e garanta inclusive amparo social. As condições são de desenvolvimento social da região, não adianta ter empresas com práticas sustentáveis em determinados municípios e no aspecto social, o município se degradar”, explica.

No projeto a ser implementado a partir do fundo formado para a Eletronorte, pró-Amazônia Legal, está também a melhoria da navegabilidade do Rio Madeira e do Rio Tocantins, além de programas de geração de energia renovável e interligação de sistemas isolados, que reduzam estruturalmente os custos de geração de energia elétrica suportados pela Conta de Consumo de Combustíveis.

Segundo o especialista em gestão e manejo ambiental Charles Dayler, as medidas são importantes, uma vez que a atividade de geração energia hidrelétrica causa grande impacto ambiental. “O meio ambiente, se esses projetos forem bem conduzidos e executados, com certeza vai ganhar e a própria empresa. Então é uma iniciativa muito interessante, considerando o escopo de atuação da empresa, considerando as grandes áreas que ela causa impacto ambiental e considerando o volume de recursos, a questão é: esse recurso tem que ser bem aplicado e esse recurso tem que ter a fiscalização dessa aplicação”, aponta.

Todos os programas são coordenados pelo governo federal, via três comitês gestores, com participação multiministerial e de setores da sociedade civil. A Eletrobras tem a obrigação de propor e implementar as ações aprovadas pelo comitê do fundo de cada subsidiária.

Os projetos de revitalização de bacias hidrográficas são regulamentados pelo Decreto 10838/2021 e envolvem ações que geram recarga das vazões afluentes e ampliam a flexibilidade operativa dos reservatórios, com o objetivo de preservar o uso prioritário e múltiplo das águas.

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A ponte Rio Grande, que passa sobre o rio de mesmo nome, será totalmente interditada na noite desta quinta-feira (5/2), após apresentar trincas em um dos pilares da estrutura. A ponte liga a cidade de Conceição das Alagoas, em Minas Gerais, a Miguelópolis, no interior de São Paulo. O Departamento de Estradas de Rodagem (DER) de Minas Gerais já havia determinado que apenas veículos de até quatro toneladas poderiam circular pela ponte, mas, após uma nova vistoria, realizada nessa quarta-feira (4/2), o departamento determinou a interdição total. A ponte é considerada um importante elo de ligação entre a Rodovia MG-427 e o estado de São Paulo, garantindo acesso a municípios do interior paulista, como Barretos. Uma das opções de desvio para os motoristas que usam o trajeto é seguir pela MG-427 até a cidade de Planura, depois acessar a BR-364 – que passa a se chamar SP-326 quando muda de estado, seguir até Barretos e, de lá, continuar pela SP-25 até a cidade de Guaíra. Outra rota alternativa é pela MG-427, no sentido de Uberaba, depois seguir pela BR-050 até a cidade de Delta e, ao atravessar a divisa entre Minas Gerais e São Paulo, continuar pela SP-330 em direção a Ituverava e, de lá, acessar a SP-385 até Miguelópolis. Segundo profissionais envolvidos na análise da ponte, as dimensões das trincas identificadas “comprometem a segurança dos usuários”. “O DER-MG está em contato com o Departamento Rodoviário de São Paulo com o objetivo de viabilizar ações para recuperação da estrutura, possibilitando a retomada da circulação de veículos no local”, diz o comunicado. Não há previsão para a retomada do tráfego na via. Enquanto isso, o departamento de estradas mineiro orienta que os motoristas respeitem “rigorosamente” a interdição e a sinalização instalada no local.