O Estado de São Paulo enfrenta um crescimento expressivo nos casos de hepatite A em 2026. Dados divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde mostram que, apenas no primeiro semestre, foram registrados 1.880 casos da doença, número superior ao total contabilizado durante todo o ano de 2025, quando houve 1.663 notificações. O avanço acende um alerta para autoridades de saúde e especialistas, que destacam a importância da prevenção e da ampliação do acesso ao saneamento básico.

A hepatite A é uma infecção viral que afeta o fígado e é transmitida principalmente pela ingestão de água ou alimentos contaminados, além do contato com pessoas infectadas em condições inadequadas de higiene. Embora a maioria dos pacientes se recupere completamente, a doença pode provocar complicações, especialmente em adultos e pessoas com problemas de saúde.

Entre os fatores apontados como agravantes para a disseminação da enfermidade está a deficiência no saneamento básico. Segundo o Instituto Trata Brasil, regiões sem coleta e tratamento adequados de esgoto apresentam maior incidência de doenças de transmissão fecal-oral, como hepatite A, diarreias infecciosas e outras enfermidades relacionadas à contaminação da água.

Em comunidades localizadas próximas a rios, córregos e áreas afetadas pelo lançamento de esgoto sem tratamento, é comum que famílias convivam com episódios recorrentes dessas doenças, evidenciando a relação entre infraestrutura sanitária e saúde pública.

Os impactos também aparecem nas estatísticas nacionais. Dados do DATASUS referentes a 2024 indicam que a Região Sudeste registrou mais de 109 mil internações e 2.052 óbitos relacionados a doenças associadas à falta de saneamento básico, demonstrando que o problema vai além da hepatite A e afeta diretamente o sistema público de saúde.

Outro aspecto destacado pelos estudos é a desigualdade social. A maior incidência dessas enfermidades ocorre entre populações de menor renda e escolaridade, especialmente em bairros periféricos, onde o acesso à infraestrutura urbana ainda apresenta deficiências.

Entre os municípios paulistas, Ribeirão Preto concentrou o maior número de casos da doença em 2026, com 1.024 registros entre janeiro e julho. Apesar dos números elevados, a Secretaria Municipal de Saúde informou que o surto local não teve relação direta com falhas no saneamento básico.

Segundo a subsecretária de Vigilância em Saúde do município, Luzia Márcia Romanholi Passos, as investigações epidemiológicas apontam que a principal hipótese para o aumento dos casos está relacionada à contaminação por alimentos, e não à qualidade da água ou ao sistema de esgotamento sanitário.

Em nota, a Prefeitura de Ribeirão Preto informou que o município mantém rígido controle sobre a qualidade da água distribuída à população. De acordo com a administração municipal, o monitoramento segue os parâmetros estabelecidos pela Portaria GM/MS nº 888/2021, com análises periódicas realizadas nos poços que abastecem a cidade.

Enquanto isso, o crescimento dos casos em todo o estado reforça a necessidade de investimentos contínuos em infraestrutura sanitária, vigilância epidemiológica e campanhas educativas voltadas à higiene, ao consumo de água tratada e à manipulação segura de alimentos.

Especialistas destacam que medidas simples, como lavar corretamente as mãos, consumir água potável, higienizar frutas e verduras e manter a vacinação em dia quando indicada, continuam sendo fundamentais para reduzir o risco de infecção.

O aumento expressivo das notificações em 2026 evidencia que, além da assistência médica, políticas públicas voltadas ao saneamento e à prevenção permanecem essenciais para conter a disseminação da hepatite A e proteger a saúde da população paulista.

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