Por muito tempo, o Panamá esteve fora do radar estratégico de Max Katsuragawa Neumann. O país era conhecido pelo Canal, pela posição geográfica privilegiada e por alguns clichês associados a sistemas financeiros dolarizados. Mas o conhecimento era superficial.
No início de 2024, Max participou de uma missão de negócios na Cidade do Panamá. Foram quase sete dias intensos de reuniões, visitas técnicas, conversas institucionais e, sobretudo, observação. A conclusão foi clara: o Panamá não é apenas um país de passagem, mas um território fértil para quem pensa negócios de forma estruturada, responsável e de longo prazo.
Do ponto de vista cultural, o impacto para o empresário brasileiro é positivo. O Panamá tem sangue latino, fala espanhol, compartilha valores próximos aos nossos e, ao mesmo tempo, opera com uma lógica internacional extremamente pragmática. O brasileiro é bem recebido — não apenas como turista, mas como empresário. Existe uma percepção consolidada de que o Brasil forma empreendedores criativos, resilientes e capazes de atuar em ambientes complexos.

Há, porém, um ponto central observado por Max: o Panamá ainda carece de muitas soluções. E isso, para quem empreende de verdade, não representa um problema, mas uma oportunidade. Onde faltam estrutura, gestão, produto ou eficiência, existe espaço real para construção de valor.
O sistema bancário panamenho também chama atenção. Após o episódio do Panama Papers, o país passou por ajustes regulatórios rigorosos, resultando em um sistema mais seletivo, conservador e confiável. Totalmente dolarizado, alinhado a padrões internacionais de compliance e avesso a operações de origem duvidosa, o ambiente financeiro oferece segurança jurídica e previsibilidade patrimonial ao empresário sério.

O Canal do Panamá, por sua vez, vai além da simples passagem de mercadorias. O país estruturou inteligência logística ao redor dele, consolidando-se como um hub das Américas. Regimes especiais e zonas francas permitem eficiência fiscal e operacional, transformando trânsito em estratégia.
Ao longo da missão, conversas com empresários, advogados, representantes institucionais e brasileiros já estabelecidos no país revelaram um traço comum: o Panamá valoriza quem chega para construir, estruturar e respeitar regras.
Max retornou do Panamá encantado, não por romantismo, mas por fundamento. Para empresários brasileiros, o país não oferece promessas fáceis. Oferece oportunidades sérias. E, na sua visão, são exatamente essas que valem a pena.